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Uma comparação histórica dos juros baixos no Brasil

04 de ago de 2017 | Por IBBRA Consultoria falando sobre Economia e atualidades

Por Luciano Telo
04/08/2017

Em mercados desenvolvidos é comum utilizarmos a história como guia para a tomada de decisões de investimento. Em geral, o gestor observa um momento passado e procura utilizar as lições aprendidas no episódio anterior para aplicá-las ao presente. Obviamente reconhecendo as particularidades de cada momento.

No Brasil, o histórico econômico que permite análises não é longo. Em geral, o período no qual o mercado financeiro procura informações, em um cenário comparável ao atual, começa na metade de 1994, após o Plano Real ter estabilizado a moeda e reduzido significativamente o patamar de inflação.

Nos últimos 23 anos, a raridade do patamar de juros de um dígito no Brasil é clara. Observamos a taxa básica de juros abaixo de 10% por menos de três anos e em dois momentos distintos, o primeiro em 2009, ano de crescimento quase zero, outro em 2012, ano de crescimento econômico ao redor de 2%.

No ano de 2009, a autoridade monetária reagiu à crise financeira global, procurando evitar o contágio no Brasil. Apesar da relevância e algumas similaridades deste período em relação ao momento atual, iremos realizar uma análise comparativa mais detalhada do ano de 2012, devido à maior proximidade temporal.

Em 2012, no menor nível histórico da taxa Selic, uma posição de juros de um ano de prazo embutia um retorno acima da inflação de ínfimos 0,8%, resultado de uma inflação projetada alta, próxima a 6,5%, e de uma taxa prefixada de um ano em 7,3%, quase o mesmo nível da taxa diária fixada pelo Banco Central. Para títulos mais longos, de cinco anos, a projeção era de apenas 2,8% de juros reais.

Atualmente, um título ligado à inflação de um ano remunera o investidor adicionalmente ao IPCA em 4,4% ao ano para o período de um ano e próximo a 5,3% para o período de cinco anos, nível bem maior do que o de 2012.

A comparação é ainda mais interessante quando analisamos os preços para a inflação esperada. A inflação projetada nos preços de mercado, ou inflação implícita, estava próxima a 6,5% para um ano em 2012 e agora está ao redor de 3,9%. Para cinco anos à frente, em 2012, o mercado projetava algo como 5,7% ao ano de inflação e hoje projeta 4,6%.

Desse modo, apesar da inflação alta em 2012, o mercado acreditava em uma inflação futura menor, mesmo com um juro real em patamar baixo. O mercado não previa um aumento de juros reais à frente para convergir a inflação, o que de fato acabou ocorrendo.

Hoje, os agentes econômicos parecem acreditar que a inflação futura deverá subir, mas ficará em patamares comportados de 4,5% e os juros reais futuros para conseguir esse patamar de inflação serão próximos a 5,5%.

O equilíbrio de juros projetados mais altos parece razoável considerando a experiência histórica do Brasil, que, nesses 23 anos de tentativa de trabalhar com juros menores, teve média de juros reais observada acima de 9% e inflação média de 7%.

Entre 2012 e 2017, com política fiscal expansionista, os juros reais observados ficaram próximos a 3,9% e a inflação média esteve em 7% e em ascensão até o ano passado. Em 2016, o Brasil trabalhou com juros reais de 6,9% e, no contexto da recessão, o resultado foi fortemente deflacionário. Assim, a taxa de juros reais que garante estabilidade da inflação parece estar entre 4% e 6%, talvez mais próxima da parte inferior do intervalo dada a ancoragem de inflação recente.

Destacamos que a conjuntura atual é diferente de 2012, com outro governo e equipe econômica. Entretanto, é fato que para os próximos cinco anos, não é possível definir o próximo governo tornando admissível a análise comparativa sobre as projeções de juros nominais e reais nos dois períodos.

Em relação ao momento do ciclo econômico, precisaríamos de mais juros em 2012 do que hoje, visto que estamos saindo de uma prolongada recessão com inflação reduzida e, em 2012, estávamos em um momento de crescimento maior com inflação alta. A situação fiscal precisava ser resolvida de forma estrutural em 2012 e continua a ter que ser enfrentada hoje.

Dessa maneira, o mercado parece ter exagerado na tendência além do razoável em 2012. Imaginava-se que seria possível fazer a convergência de juros reais e manter a inflação em um maior patamar por um período longo. Na prática, a inflação subiu mais e exigiu uma elevação de juros para controlar os preços.

Nesse sentido, o equilíbrio entre inflação projetada e juros reais parece mais acertado hoje. A estimativa de muitos agentes econômicos para a taxa de juros de equilíbrio de longo prazo no Brasil está mais próxima de 5%, com vários analistas testando a hipótese de um nível mais baixo.

Em um fundo de investimento, a compra de títulos ligados à inflação acima de 5,5% de juros reais permitiria ter uma margem de segurança maior em relação aos juros médios históricos altos. Ainda assim, no nível atual levemente superior a 5%, consideramos esses títulos atrativos e temos posição nas nossas carteiras. O mercado não precisa exagerar no otimismo com os juros reais projetados, como em 2012, para justificar essa alocação.

(Notícia retirada integralmente do site www.valor.com.br)

*As opiniões expressas neste artigo não expressam, necessariamente, a opinião da Ibbra Consultoria Financeira.


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