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Ibovespa alcança os 100 mil pontos pela 1ª vez

19 de mar de 2019 | Por IBBRA Consultoria falando sobre Economia e atualidades

Por Juliana Machado, Valor Econômico, São Paulo, 19/03/2019

 

O momento que o mercado tanto esperava chegou. Depois de um mês entre ganhos e correções, o índice Ibovespa atingiu a simbólica marca dos 100 mil pontos pela primeira vez na história. Boa parte do movimento pode ser creditada ao otimismo dos investidores locais com a reforma da Previdência. O ambiente no exterior, porém, tem importante contribuição: os papéis ligados a commodities, como as titãs da bolsa Vale e Petrobras, lideram a valorização neste ano, seguindo a firme alta dos preços das matérias-primas no mercado internacional.

O Ibovespa atingiu inéditos 100.038 pontos na máxima intradiária, por volta das 15 horas. No fim do pregão, reduziu o ganho e ficou a apenas sete pontos de encerrar na nova faixa: subiu 0,86%, aos 99.993 pontos. O giro financeiro foi robusto: R$ 11,5 bilhões.

Na opinião de especialistas, a partir do ponto atual, fica mais difícil para o Ibovespa seguir num rali. Ganhos adicionais dependerão cada vez mais de notícias positivas, sobretudo na frente doméstica. Ainda assim, a expectativa é que o avanço prossiga: com o andamento da reforma fiscal e um ambiente no exterior minimamente positivo para os emergentes, o índice deve perseguir patamares mais altos, rumo aos 120 mil pontos, segundo grandes bancos de investimentos e corretoras.

Para Marcos Assumpção, analista do Itaú BBA, uma combinação de fatores dá suporte às ações. O mercado continua esperando avanços na tramitação do projeto para a Previdência apresentado pelo governo, enquanto um exterior favorável para os emergentes, com maior demanda por risco, tira do caminho a busca por proteção e realização de lucros. “Apesar de termos notícias negativas de revisão para baixo de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] mundial e brasileiro, isso também endossa a perspectiva de taxas de juros pequenas nos países desenvolvidos. E isso é relevante para o interesse na renda variável”, diz.

“Ibovespa em 107 mil pontos é uma boa referência para os próximos meses, considerando o atual estágio das discussões da reforma da Previdência”, afirma Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management.

Desde a eleição presidencial, o investidor institucional local tem sido o grande responsável por alçar o Ibovespa a novos recordes. O estrangeiro tem uma visão positiva para o Brasil, mas não o bastante para elevar a exposição à renda variável local, segundo especialistas. Dados mais recentes da B3 mostram que, no acumulado do ano até o dia 14 de março, os estrangeiros estão com uma posição negativa de R$ 597,2 milhões na bolsa. Já os investidores institucionais locais estão alocados com R$ 4,6 bilhões até a mesma data.

Além de não contar com o impulso do capital externo, o Ibovespa chega aos 100 mil pontos aquém das máximas em termos reais e na comparação com os recordes batidos em dólares. Em moeda americana, o recorde do Ibovespa foi batido em 19 de maio de 2008, quando marcou 44.616 pontos (73.438 pontos em moeda local na época). Agora, convertido pelo dólar PTax, o Ibovespa está em 26.237 pontos, ou seja, precisaria subir 70% para atingir o pico observado há quase 11 anos.

Se o cálculo do atual patamar da bolsa for feito corrigido pela inflação acumulada do período, a variação real do Ibovespa não superou a alta dos preços da economia do intervalo: desde as máximas em dólar de maio de 2008, o índice subiu 36%; com a correção pela inflação, houve queda de 25,6%.

A dificuldade de o Ibovespa retornar a tais níveis históricos é o atual patamar do câmbio. Em 2008, a taxa de câmbio estava em R$ 1,646; agora o dólar PTax está em R$ 3,811. Naquele ano, os efeitos da crise financeira mundial interferiam na demanda pelos mercados desenvolvidos, o que fez com que a moeda americana perdesse valor para outras divisas. Em contraste, a China adotava uma política de forte estímulo econômico, com consequente valorização para as matérias-primas como o minério de ferro e o petróleo, que ultrapassavam os US$ 100.

A onda de euforia atingiu então os países emergentes, sobretudo aqueles dependentes das commodities – caso do Brasil. Assim, o Ibovespa, que conta com uma grande participação de companhias do segmento, beneficiou-se diretamente dessa dinâmica.

Dessa vez, a movimentação das commodities também compõe a lista de motivos para a valorização da bolsa brasileira. O minério de ferro já subiu no ano 21,3%, enquanto o petróleo Brent avança 27,1% no período. Embora a confiança local tenha feito papéis ligados ao ciclo doméstico ganharem importância para os gestores, ações ligadas às oscilações externas tiveram ganhos robustos no acumulado de 2019. A desaceleração global é um aspecto de dúvida para a sustentabilidade dos preços de matérias-primas, mas a redução da oferta de minério e de petróleo ainda dá sustentação aos preços.

No setor de commodities e matérias-primas – que lideram as valorizações do índice -, o valor de mercado das empresas cresceu 15% no ano. Já os bancos registraram uma valorização de 11,4% em 2019, enquanto as companhias de varejo e consumo tiveram ganho de valor mercado conjunto de 3,8%. Em 2019, a maior alta do Ibovespa é da CSN: 85%. No total, 26 dos 65 papéis que compõem o índice renovaram máxima histórica de preços na bolsa neste ano.

As apostas, portanto, na melhora da situação fiscal do Brasil e da própria economia foram capturadas pelos papéis das instituições financeiras e de outras empresas com grande “atraso”, como as construtoras. Para analistas, uma reforma robusta, que permita um nível adequado de economia fiscal, elevaria a confiança dos gestores e faria com que o fluxo para a bolsa se concentrasse justamente nos papéis de consumo e varejo.

 

“Essa marca [do Ibovespa] é histórica, mas é só o começo”, diz Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos. “Vemos um movimento de mudança estrutural no Brasil, com crescimento acompanhado de inflação ancorada, juros em mínima histórica e uma agenda de reformas que pode prolongar a longevidade desse cenário.”

 

Notícia retirada integralmente do site https://www.valor.com.br/financas/)
*As opiniões expressas neste artigo não expressam, necessariamente, a opinião da IBBRA – Consultoria Financeira.


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